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Agricultor realiza primeira aquisição de trator com pagamento através de grãos digitais

A reportagem da Revista Agrícola esteve em Cascavel, no início desta semana, realizando a cobertura do Show Rural Coopavel. Entre várias novidades e lançamentos tecnológicos, ocorreu a primeira negociação com pagamento feito através de grãos digitais.

Em uma parceria do Banco CNH Industrial, instituição financeira da fabricante de máquinas agrícolas CNH Industrial, com a agtech argentina Agrotoken, parte do pagamento de um trator foi feita por meio de “grãos digitais”. A moeda digital da startup é lastreada em grãos. A transação, já realizada na Argentina, foi feita pela primeira vez no Brasil. A operação ocorreu no Show Rural Coopavel, feira agrícola realizada pela cooperativa em Cascavel, informam as empresas em nota.

O comprador foi o produtor Wagner Cruvinel, de Silvânia/GO, e o trator T8 adquirido foi da marca New Holland Agriculture. Para o vice-presidente da New Holland Agriculture para a América Latina, Eduardo Kerbauy, a operação inédita no País representou o pontapé inicial para o comércio de máquinas agrícolas por meio de moedas digitais. “A economia digital já faz parte de nossas vidas e esta é uma amostra do potencial de evolução e desenvolvimento que temos em nosso negócio”, disse, na nota. “Estamos muito satisfeitos com a possibilidade de expansão dos nossos negócios agrícolas no Brasil e na Argentina”, afirmou o presidente do Banco CNH Industrial para a América Latina, Heberson De Goes.

A “tokenização” dos grãos ocorre por meio da transformação da produção agroindustrial dos produtores em ativos digitais lastreáveis pela Agrotoken. A empresa explica que, na prática, transforma os grãos em um bem digital, para guardar ou trocar por insumos, serviços e outras possibilidades. A “tokenização” é feita por meio de blockchain e, assim, os grãos são convertidos em “agrotokens” como crédito para o produtor usar em operações comerciais e financeiras. A moeda digital tem o valor atrelado ao preço dos grãos, é vinculada à origem da emissão do ativo físico e seu preço é indexado em índices como Esalq, Cepea/B3, Argus e Platt.

A startup prevê “tokenizar” mais de 1 milhão de toneladas de grãos até o fim do ano no País. “É mais uma ferramenta para democratizar o agronegócio, tornando reais as transações com soja e milho”, afirma o diretor da Agrotoken no Brasil, Anderson Nacaxe.

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