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Copa do Mundo: como pessoas com autismo podem aproveitar os jogos com mais conforto e bem-estar

Com 104 partidas entre 11 de junho e 19 de julho, a Copa do Mundo de Futebol mobiliza milhões de pessoas em todo o país, que a cada partida irão passar por uma série de emoções e sentimentos intensos quanto ao progresso da Seleção Brasileira no torneio. Para quem faz parte do Transtorno do Espectro Autista (TEA), as reviravoltas do esporte exigem um certo cuidado para cada disputa seja vista de forma saudável.

O Brasil, além de apaixonado por futebol, também é um país que conta, segundo dados de 2025 do IBGE, com cerca de 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com algum nível de autismo, o que representa cerca de 1,2% de toda a população. Deste total, 1,4 milhão de casos são de homens e, dentre as faixas etárias com maior incidência de pessoas diagnosticadas no espectro, está a de crianças entre 5 e 9 anos, com 2,6% de casos.

Para todos que estão dentro do espectro autista, o ato de torcer por uma equipe de futebol traz certos desafios: a quebra de rotina, as surpresas, os ambientes mais ruidosos e visualmente mais estimulantes, assim como a necessidade de lidar com vitórias e derrotas são fatores que exigem uma atenção especial.

Thaís Nakayama, professora de pós-graduação em Psiquiatria da Afya Educação Médica Curitiba, traz algumas dicas para pessoas dentro do espectro e também pais de jovens autistas que querem curtir a Copa do Mundo com acolhimento e responsabilidade.

Ao assistir um jogo de futebol, quais elementos da partida podem impactar?

A Copa do Mundo costuma reunir familiares e amigos, o que consequentemente traz mais contato social e exposição a estímulos sonoros e visuais, até mesmo com fogos de artifício. Para quem está dentro do espectro autista, isso pode, naturalmente, gerar desconforto, mas há um elemento a mais nesse caso: como qualquer esporte, as partidas de futebol carregam uma imprevisibilidade que faz com a pessoa não se confortável com aquela tensão.

Há ainda, uma outra questão: muitas pessoas dentro do espectro podem não demonstrar interesses por futebol, portanto é importante que se considerem os gostos pessoais de cada indivíduo e não pressionar para acompanhar os jogos, se isso não for uma atividade satisfatória. Os limites da pessoa precisam ser respeitados”.

Em uma situação como um jogo do Brasil, no qual há várias pessoas produzindo um ambiente ruidoso e uma mistura de sentimentos, que tipo de cuidado o autista nível 1 de suporte precisa ter para conseguir fazer parte dessa festa, se for adequado?

“Nos jogos do Brasil, a torcida costuma ser mais intensa, então é preferível que o indivíduo dentro do espectro autista opte por uma reunião com menos pessoas, em um espaço familiar, como a própria casa. Bares e demais locais públicos podem trazer mais desconforto e fadiga.

Mesmo assim, se a pessoa quiser um ambiente mais agitado, convém utilizar abafadores de ruído, pois geram maior conforto acústico. Além disso, é importante saber reconhecer o momento certo para finalizar a atividade; quando se sentir cansado, é preciso considerar voltar para um ambiente acolhedor, mais calmo”.

Em casos de níveis de suporte 2 e 3, é possível assistir jogos em um ambiente mais festivo? Se não, há formas de conseguir curtir o futebol de maneira segura, saudável e que não prejudique tanto a sensibilidade?

“Para quem possui níveis de suporte 2 e 3, que são mais elevados, o primeiro passo é analisar o desejo da pessoa em assistir os jogos, pois cada um tem o seu interesse particular. Ainda assim, cabe lembrar que, muitas vezes, os pacientes desses níveis não podem permanecer muito tempo na mesma atividade.

A recomendação, nesse caso, é para que as pessoas próximas propiciem um ambiente com menos estímulos, em que estejam aqueles que fazem parte do convívio do paciente. Tudo isso, claro, respeitando os limites do indivíduo, para que todos possam curtir os jogos de forma saudável”.

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